Crítica

Maxita (2026) | Crítica

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Marcus Dudeque

· 2 minutos para ler
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Em tom brando, Maxita opta por uma abordar um tema urgente com documentário pouco inspirado

Davi Kopenawa, xamã yanomami e uma das principais vozes indígenas do Brasil, enfrenta a ameaça da chegada de grandes mineradoras em seu território na Amazônia. O acompanhamos em travessia até Brumadinho, Minas Gerais, onde se depara com as marcas do rompimento de uma barragem de mineração em 2019. Entre a terra e o plano espiritual, sua jornada se cruza com a dos maxita watimapë — os “comedores de terra” — e reencontra seu velho amigo de luta, Ailton Krenak.

Ao permitir que Davi Kopenawa assuma a dianteira de seu longa, Mariana Machado e Ana Maria Machado acabam por diminuir o impacto de sua pesquisa sobre o povo yanomami. O que deveria ser um relato sobre um coletivo acaba se individualizando na figura e liderança de Davi.

O longa começa com uma colagem que intercala fragmentos de vídeos dos yanomami com arquivos de exploração do passado. É uma passagem bem inspirada e, num primeiro momento, deixa uma boa impressão. Logo a câmera foca em seu protagonista e fica com ele por toda a extensão do filme, com algumas inserções de momentos tradicionais de sua comunidade, apesar de serem poucas.

Para além da simplicidade de sua abordagem ao estabelecer um diálogo sem respostas com Davi, Maxita, a relação construída entre a catástrofe em Brumadinho, com as iminentes ameaças que o território yanomami sofre, gera apreensão a quem assiste, e isso é um acerto da dupla de diretoras. Ainda assim, a sensação é de que pouco é mostrado e de que falta alguma urgência. Muito se viu da beleza da Amazônia, mas pouco se viu dos verdadeiros impactos de mineração ilegal e desenfreada, falando em imagens.

A passagem em que Davi Kopenawa se encontra com Ailton Krenak é, talvez, a mais importante do filme. Há alí, de fato, um diálogo, estabelecido entre duas lideranças enormes na luta indígena. Neste momento o assunto toma uma dimensão diferente e, por mais que tenha sido uma conversa singela, há um peso grande nas palavras.

Maxita é um documentário de boas intenções, com um tema extremamente relevante, mas que optou por uma abordagem mais branda, acabando por não criar muita urgência em torno de seu objeto de estudo. Ainda assim, joga luz no que pode virar um problema enorme num futuro breve, principalmente a depender das eleições que vêm a seguir.

Este filme fez parte da Competitiva Nacional do 15º Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, no ano de 2026.

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Maxita (2026)

Maxita

Documentário

|

89 minutos

Direção: Mariana Machado, Ana Maria Machado

Elenco: Davi Kopenawa Yanomami, Ailton Krenak

Produção: Brasil

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Sobre Marcus Dudeque

Marcus é fã de cinema e estuda a arte por conta desde 2022, mas ama filmes desde que se entende por gente.